Home Office

Home office: desafio dos novos tempos para empresas e funcionários

 Publicações da RGCE
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Rodrigo Gimenez - Sócio Líder

A pandemia transformou em realidade, para grande parte dos negócios, algo que era sonhado por alguns e vivenciado por poucos. O home office teve que ser implementado às pressas e trouxe, durante esse tempo, muitas reflexões para empresas e funcionários.

Com os números de casos da doença diminuindo e o de imunização crescendo, o retorno para o trabalho presencial tem sido um dos debates mais atuais.

Resolvi nesse artigo falar sobre esse assunto, analisando diferentes vieses e abordagens. Primeiro falar sobre a visão das empresas e gestores e, depois, dos funcionários.

No cenário atual, temos empresas que acreditam e estão iniciando uma volta coletiva e temos empresas que enxergaram o home office como, além de uma forma de economizar com aluguéis e outros, também uma forma de trabalho mais lucrativa e eficiente.

De acordo com a pesquisa da ISE Business School, 60% afirmam que houve melhora na eficiência e produtividade e 80% dos gestores dizem gostar da nova maneira de trabalho.

Dentre os 20% que não gostam, temos os que citam que o home office dificulta o trabalho, que ideias se perdem sem o contato presencial e que a qualidade do trabalho não é a mesma.

Dos 80% que gostam, temos os que dizem que descobriram que as coisas funcionam bem virtualmente e que é preciso se ajustar às mudanças e enxergá-las positivamente.

Vendo pela ótica dos funcionários, temos os que vivem o período de home office com dificuldades devido, principalmente, à falta de estrutura para o mesmo, assim como funcionários que descobriram uma forma mais interessante de trabalhar, inclusive podendo realizá-lo de qualquer lugar.

Uma pesquisa da FEA-USP e da FIA mostra que 73% estão satisfeitos com o home office e 81% afirmam que a produtividade é igual ou maior.

Apesar disso a pesquisa mostra também que os funcionários estão trabalhando mais horas que o contrato de trabalho, o que preocupa.

A pesquisa realizada pela Citrix mostra essas como as principais desvantagens colocadas pelos funcionários: distrações no ambiente, falta de equipamentos de escritório e falta de tecnologias e acesso a documentos para realização de tarefas.

O que podemos ao certo dizer é que essa forma de trabalho, que acontecia de maneira muito discreta e, principalmente, em determinados nichos, generalizou-se e acredito que fará parte da realidade daqui em diante.

Estão todos tentando se adaptar e entender como é o melhor modo de agir. Dentro desse assunto, vi um artigo interessante que mostra como as empresas estão buscando soluções para manter o controle sobre os funcionários e as operações.

Algumas empresas, principalmente fora do Brasil, investiram em softwares que monitoram o tempo e a qualidade do trabalho de seus funcionários quando esses estão em home office. Para as empresas, é uma forma interessante de monitorar e acompanhar o trabalho, porém, para os funcionários, pode não ser tão boa assim, visto que esses softwares podem monitorar mais do que somente o trabalho. Gravação de telas, teclas e até áudios podem ser feitos pelo software. Temos nesses casos, no mínimo, uma questão ética.

Em contrapartida, estudiosos colocam que quando as empresas cobram resultados, e não necessariamente horas trabalhadas, os funcionários se sentem mais confiantes e os resultados tendem a serem melhores. É preciso mudar como se enxerga produtividade e os gestores precisam estar atentos ao equilíbrio. No home office, tende-se a trabalhar mais e esse equilíbrio é algo que precisa ser dado como exemplo pelos gestores. Horas excessivas de trabalho não são sinônimo de produtividade.

Um modelo que está sendo bastante discutido e adotado por várias empresas é o chamado híbrido, onde existe a mescla do presencial com o home office, normalmente 2 dias na empresa e 3 em casa (ou 2 em casa e 3 na empresa…depende do caso).

Ele é visto como uma forma inteligente de colocar em prática os benefícios e qualidades dos dois modelos.

De tudo que tenho visto e lido, arrisco dizer que o modelo híbrido parece ser o mais assertivo para a maioria das empresas, mas sempre lembrando que nem todos os tipos de serviços, assim como nem todo tipo de funcionário e gestor, estão aptos ao modelo. Por isso cabe uma boa análise e estudo sobre o assunto.

Seja qual for a escolha de cada empresa, uma coisa é certa, para os que se adaptaram bem ao home a volta será difícil, assim como está sendo esse período para os que não se adaptaram.

Uma preocupação importante são os direitos trabalhistas no modelo home ou híbrido. A orientação dos especialistas é de que é necessário haver mudanças no contrato de trabalho, definindo as novas regras. Salientam também que a justiça está apta para já resolver questões oriundas dessa nova fase.

Num resumo bem simplificado sobre o assunto, podemos dizer que não existe uma determinante que oriente os gestores na escolha do modelo ideal. Citam-se benefícios do home office, mas também desvantagens dele, tanto para a empresa e gestores, quanto para os funcionários. Assim como sempre tivemos, em se tratando do trabalho presencial. Cada gestor de cada empresa deve avaliar o caminho, os resultados desse último ano, porém levando em consideração que o momento trouxe também fatores que num cenário sem pandemia não existiriam.

Nada pode ser 100% definitivo, pois a situação atual também não é.

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