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De que lado a sua empresa (e você empresário) quer estar?

 Publicações da RGCE
Publicações da RGCE

Rodrigo Gimenez - Sócio Líder

De que lado a sua empresa (e você empresário) quer estar?

 

Essas abaixo são algumas das muitas reportagens veiculadas nos principais canais de notícias do país nos últimos meses.

“Onda de demissões voluntárias chegou ao Brasil, aponta estudo. Em levantamento com 48 líderes de RH de grandes empresas, 52% dizem que há um movimento crescente de saída de funcionários mais qualificados em busca de outros modelos de trabalho ou de realização”

“Aumenta o número de pedidos de demissões no Brasil. Em janeiro de 2022, 544.541 pessoas decidiram abandonar seus trabalhos, maior número dos últimos oito anos. Segundo especialistas, muitos trabalhadores estão procurando um outro estilo de vida, principalmente por conta do trabalho remoto”

Em todo o mundo, muitas outras reportagens já vinham sendo veiculadas desde o início do ano passado sobre o assunto intitulado de “The Great Resignation“, na tradução literal: A Grande Renúncia.

Estados Unidos e alguns países da Europa já vivenciam desde o ano passado esse “fenômeno” que chegou ao Brasil faz pouco tempo. No entanto, claramente a situação no nosso país é diferente devido a muitos outros aspectos, por isso resolvi fazer nesse artigo algumas reflexões sobre o tema.

Estamos recém-saídos, e muitos nem concordam que saímos, de uma pandemia mundial que afetou economicamente grande parte da população. Ouvimos falar cada vez mais de endividamento, crise, alta de preços, baixa de poder aquisitivo e, conjuntamente, notícias como essa.

Parece ser um quebra-cabeça onde as peças não se encaixam, porém, se analisarmos atentamente alguns sinais, elas se encaixam, sim.

O que leva alguém a se demitir num momento como esse?

Temos duas situações bem comuns.

A primeira, e a mais citada dentre as analisadas, mostra que muitos desses que se demitiram estavam em empregos “tapa-buracos”, conseguidos durante a pandemia, quando o nível de desemprego era altíssimo e precisavam buscar recolocação (“qualquer coisa servia”). Ao sair do auge da crise, estes agora buscam voltar ao mercado em sua área de atuação, com salários compatíveis, entre outros interesses.

A segunda, que também se apresenta como das mais mencionadas, tem relação com aqueles que, durante a pandemia, perceberam que o trabalho deve ser algo mais do que só o automático, que é possível conciliar trabalho com vida pessoal, que o home office proporcionou maior qualidade de vida, enfim que não é só o salário e os benefícios que devem ser colocados na balança.

Porém, existe uma realidade de grande parte da amostra que talvez se encaixasse em ambas as situações, mas não possui recursos (financeiros, de conhecimento etc.) para tomar o caminho da demissão, isto é, uma boa parte ainda se manteve no emprego, infelizes sim, mas à espera de uma oportunidade que realmente se encaixe no que querem. Espera-se que, mais cedo ou mais tarde, estes também farão parte da estatística que mostra essa mudança de perfil do profissional brasileiro e mundial. Sem colocar gerações ou idades nesta análise. É um comportamento novo e que permeia todas as gerações e faixas etárias.

Como evitar viver esse “bum” de demissões dentro de uma empresa?

Cuidando do capital humano. No popular, cuidando das pessoas. Cuidar, de fato.

Como a cultura organizacional é vivenciada faz diferença em um momento como esse? Sim, óbvio. A forma como a empresa age faz total diferença em todos os momentos e não somente nesse.

E como então as empresas, entendendo esse cenário e as necessidades que ele traz, devem agir? Existem alguns caminhos, não se tem “receita de bolo” que cabe para todas, por mais que queiram encaixotar soluções por aí. Não acredito, e faço questão de repassar isso na RGCE, não existe “industrialização” ou “comoditização” quando o serviço prestado envolve gente, pessoas, seres humanos.

As organizações que pensam, agem e demonstram que seus colaboradores são prioridade, tendem a ter um desempenho melhor. Isso já foi provado (academicamente inclusive). O jogo só muda quando as equipes sabem o valor que o seu trabalho possui e entendem que isso é percebido pela empresa.

…às vezes é bom relembrar o óbvio, pecando pelo excesso

Parece óbvio, mas muitas empresas não se atentam, e sequer escutam, às necessidades dos seus colaboradores e dos seus clientes. Produtos e serviços criados pensando nas pessoas e no impacto na coletividade são, hoje em dia, mais bem aceitos e criam nos colaboradores e clientes um sentimento de propósito e pertencimento.

As pessoas precisam de trabalho e isso não vai mudar. O que está mudando é a forma como elas querem atuar, como querem interagir, como enxergam a relação trabalho e vida pessoal, entre outros aspectos. E com isso é preciso que as empresas também repensem e se reposicionem.

Um dos exemplos, que ainda ouvimos de forma incipiente, a meu ver, aqui no Brasil, é o ESG nas empresas (sigla em inglês para “environmental, social and governance” ou ambiental, social e governança, em português), um conjunto de boas práticas que busca determinar se as ações de uma organização estão voltadas para o desenvolvimento social, a sustentabilidade e as boas políticas de governança. Essa é, apenas e tão somente, uma das mudanças que já estão aí e que precisam ser consideradas neste novo modo de atuação.

Existem vários outros exemplos de ações, novos arranjos, preocupações e/ou formas de atuação que as empresas deveriam “se provocar” e refletir, por isso faço novamente a pergunta do início do artigo: De que lado a sua empresa (e você empresário) quer estar?

Do lado dos que fazem algo para mudar, ou daqueles que se mantêm “no perigoso conforto” da mesmice? Sendo a primeira ou a última opção de escolha dos recém-formados ou executivos de forma geral? Perdendo talentos ou sendo uma empresa concorrida onde todos gostariam de trabalhar (de participar do projeto e de contribuir com a meta)?

Sejam (mudem e/ou se tornem) atraentes e atraiam boas pessoas.

 

 

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